Robô do Futuro na Universidade do Minho

Os robôs que cumprem ordens e tarefas são hoje algo normal. Mas desenvolver máquinas que podem interagir com os seres humanos, que lhes fazem companhia depois de servirem o chá, está na mente de todos. Investigadores da Universidade do Minho estão envolvidos nessa caminhada. E já têm um sistema que antecipa algumas ordens de um parceiro humano.

Um robô de companhia, que converse e se ria duma boa anedota, ou que se apaixone, como o enternecedor Wall-e, ainda só existe nos filmes. Mas já há quem esteja a trabalhar para esse futuro e vá dando passos nessa direcção. Um desses grupos é europeu e tem a participação de investigadores da Universidade do Minho.

A equipa, que na Universidade do Minho (Pólo de Guimarães) é liderada por Wolfram Erlhagen, conseguiu desenvolver um sistema robótico que tem a capacidade de observar o comportamento do "outro" (o ser humano, neste caso) e de comparar o que "vê" com a tarefa que foi programado para desempenhar. Resultado: em determinadas circunstâncias, o robô consegue antecipar-se e realizar a sua tarefa sem ser necessário dar-lhe uma ordem. O robô não consegue antecipar o desejo do parceiro humano. Mas até parece.

"Nas nossas experiências, o robô não observa para aprender a tarefa", explica, citado pelo serviço europeu Cordis, o investigador Wolfram Erlhagen, que trabalha em robótica cognitiva e neurobiologia computacional na Universidade do Minho, e é um dos parceiros do consórcio europeu. "Estes robôs JAST [designação do programa europeu] já sabem desenvolver a sua tarefa, mas observam comportamentos, comparam-nos com a tarefa que conhecem e aprendem rapidamente a antecipá-las [na interacção com um parceiro humano] ou a detectar erros, quando esse parceiro não segue o desempenho correcto na realização da tarefa", sublinha o investigador.

O robô foi testado em várias situações deste tipo e respondeu tal como os investigadores esperavam.

Numa das situações, era ele o "professor", que guiava e prestava colaboração a parceiros humanos na construção de um brinquedo complexo. Noutra, robô e humanos estavam em pé de igualdade.

"A nossa ideia era testar se máquina e humanos conseguiam coordenar o seu trabalho", adiantou o investigador da Universidade do Minho. O robô saberia o que fazer a seguir, sem que lhe dessem ordem nesse sentido?. Para satisfação dos investigadores, a resposta revelou-se afirmativa.

Ao observar, por exemplo, como o parceiro humano agarrava numa peça do brinquedo, por exemplo, o robô conseguia antecipar o que o seu companheiro de tarefa ia precisar em seguida. "O robô não necessita de ver concluída uma acção para seleccionar a que vai seguir-se a essa", explica ainda o mesmo investigador.

O robô está programado também para lidar com erros e para perguntar, por exemplo, qual é a peça ou o instrumento que deve dar ao parceiro humano com o qual está a trabalhar se isso não for claro só através da observação.

Mas como chegou a equipa até este ponto?

Primeiro foi preciso observar muito atentamente a colaboração entre seres humanos, perceber como esse processo se reflecte a nível cognitivo, graças às células espelho, e depois reproduzir um sistema idêntico (ver caixa).

"O nosso robô tem uma arquitectura neuronal que imita o processo de ressonância que observámos nos estudos com humanos, neste tipo de comportamentos", conclui o investigador da Universidade do Minho.

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Amigo Nuno ©