Escola a "empreender"... num País para esquecer - Artigo em http://educarpelodesporto.blogspot.com/

"Com o multiplicar de inúmeros cursos profissionais parece ser intenção do Ministério da Educação (ME) que as escolas sejam, não só um local de preparação para a Universidade, mas também e sobretudo um local de preparação para a vida. Outra tentativa de ligar a escola à vida activa consiste na existência de inúmeras feiras, congressos e acções de formação ligadas ao empreendedorismo. Ou seja, empreender é o que está a dar. Talvez por isso, multiplicam-se ao longo do ano actividades organizadas nas escolas que mostram o espírito empreendedor dos nossos jovens, levando-os a ser reconhecidos intra e inter-pares, participando em concursos locais e regionais que às vezes lhes permitem mostrar a nível nacional esses seus projectos inovadores e empreendedores. Pena é que em muitos casos (infelizmente na sua maioria), os jovens depois de mostrarem as suas capacidades empreendedoras no que lhes é pedido, tenham de mostrar outras capacidades (angariadores) para conseguir verbas que lhes permitam mostrar no País, ou no estrangeiro o que de bom fazemos nas escolas. A que propósito esta conversa? Um caso real e regional, que (infelizmente) terá outros paralelos a nível nacional.
Recentemente, alunos de Vieira do Minho juntaram-se aos seus colegas do resto do país num festival de robótica em Castelo Branco, onde todos puderam mostrar as suas “invenções”. A escola de Vieira do Minho conseguiu vencer o concurso, sendo considerada a melhor equipa a nível nacional, e por isso apurada para representar Portugal na Áustria.
É meu entendimento e de qualquer pessoa sensata que num País (dito) civilizado, os alunos e professores de Vieira do Minho estariam neste momento a dirigir todos os seus esforços trabalhando arduamente para a conclusão do ano lectivo, e a aprimorar os seus robots, para a imagem do país num certame internacional, sair dignificada. A realidade é que os alunos e professores de Vieira do Minho estão a tentar angariar verbas que lhes permitam viajar para a Áustria onde gostariam de representar condignamente Portugal, e digo gostariam pois até ao momento a verba ainda não é suficiente.
Questiono-me, como é que num País onde há dinheiro para tantas reformas douradas e acumuladas dos nossos brilhantes políticos e “banqueiros”, e o ME se orgulha do Plano Tecnológico, se permite que alunos e professores empenhados, vejam sonhos transformar-se em pesadelos, por não serem suficientemente inovadores/empreendedores a angariar verbas que lhes permitam representar o País, lá fora. No mínimo, um pouco de respeito deve exigir-se a quem de direito."

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Amigo Nuno ©