Universidades apostam forte na robótica

A robótica regista um interesse crescente, tanto na investigação, como na utilização lúdica. Das universidades já saíram robôs que distribuem medicamentos e jogam futebol. Esta sexta-feira, arranca, em Guimarães, a RoboParty.

Os robôs humanóides, dotados de inteligência e capazes de reacções emocionais, já não são do domínio da ficção científica. Criados à imagem dos seus criadores, estes robôs estão cada vez mais evoluídos e "humanizados". Não só se parecem connosco, como falam e reagem às nossas atitudes e o objectivo é que sejam capazes de interagir emocional e funcionalmente com níveis de sofisticação impensáveis até há poucos anos.

Já não basta que façam o que os humanos não querem, como certas tarefas mecânicas que são executadas com perfeição, rapidez e baixos custos por máquinas. Aos robôs pede-se, agora, que pensem, sintam, brinquem e até se relacionem com os seus criadores. Utopia? Os investigadores garantem que esse é o caminho.

Na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, um grupo de pesquisa dedica-se a tentar criar uma linguagem que seja compreendida por robôs de linhagens diferentes, isto é, que tenham nascido em diferentes centros de investigação. O objectivo, explica Luís Paulo Reis, é conseguir que os robôs cooperem entre eles para que, no futuro, colaborem também com pessoas, em cenários como incêndios, operações de salvamento, expedições espaciais ou conflitos armados.

Por todo o Mundo, estão a ser desenvolvidos robôs de companhia para crianças, idosos e doentes. Mais do que desempenhar certas tarefas domésticas, a ideia é que sejam uma presença na vida de pessoas solitárias ou limitadas fisicamente e as ajudem, por exemplo, a tomar a medicação a horas certas. Já existem em vários formatos e com funcionalidades surpreendentes, muito longe do estereotipo do robô metálico, de movimentos rígidos e voz irritante. Os mais recentes são assustadoramente parecidos connosco.

"A ideia do robô como escravo está ultrapassada. Actualmente, começa-se a encarar o robô como um parceiro", garante o investigador do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores da Universidade do Porto. "Daqui a 20 anos, não será estranho ter um robô parceiro em casa", acrescenta.

O projecto Acord, que visa criar equipas heterogéneas de robôs capazes de executar multitarefas em cooperação, está a ser desenvolvido com robôs futebolistas, que se têm revelado bons modelos para testar outras aplicações. No Grupo de Automação e Robótica da Universidade do Minho, a partir projecto dos robôs futebolistas - iniciado em 1997 e que criou várias equipas que participam no RoboCup (campeonato de futebol robótico) - já se chegou a uma cadeira de rodas omnidireccional, em vias de comercialização, explica Fernando Ribeiro. Outro desenvolvimento dos futebolistas é o "Golfinho", um pequeno robô que apanha eficientemente bolas de golfe e que também deverá ser comercializado.

A Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra criou o Ladero, um robô de desminagem já testado no campo da Royal Military Academy da Bélgica com bons resultados, e o Wam, um robô médico que poderá estar nos blocos cirúrgicos dentro de alguns anos. Na Faculdade de Engenharia do Porto, foi inventado um robô enfermeiro, programado para desempenhar tarefas como distribuir medicação e refeições.

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Amigo Nuno ©